



Teoricamente, é possível que um órgão já transplantado seja doado novamente, mas é muito raro acontecer. A primeira dificuldade é estatística: um órgão só serve para o transplante se for retirado de um doador monitorado no leito de morte até o diagnóstico de morte cerebral - o que rola em 1% dos óbitos. Isso ajuda a explicar por que a oferta anual de corações para transplante no Brasil, por exemplo, é de cerca de 200. Ou seja, para ser passado adiante mais de uma vez, o órgão precisaria "sobreviver" a duas mortes cerebrais. Para complicar ainda mais, o órgão precisaria estar em boas condições para o repeteco, o que raramente ocorre devido à rejeição que ele sofre no novo organismo. É por isso que há tão poucos casos de "retransplantes" registrados na literatura médica. Um dos mais recentes aconteceu na Alemanha, em 1995: o paciente recebeu um fígado novo, mas morreu de hemorragia no dia seguinte e passou o órgão para a frente, 12 horas depois. No Brasil, o que mais se aproximou de um "retransplante" foi, na verdade, um transplante em dominó que rolou no Recife, em 2003: uma pessoa que não podia andar por uma doença ligada ao fígado recebeu um transplante e doou o fígado dela a um paciente terminal, mais novo, que não desenvolveu a doença. :-%
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